Poderia ter ficado em casa, mas assim eu não teria o que contar
03/05/2010 por Beto Leite · Sem Comentários
Olá galera, esse texto é o ponto de partida de uma brincadeira que vamos fazer.
Antes da revista Catorze existir, bem antes, nós tínhamos blogs para postar as mais pretensiosas coisas que a internet suportasse. Cada um no seu estilo. Eu (Beto Leite) no Hidrante Vermelho, Ramon no seu Fudeus e Fábio no seu Blog do Rosk.
Vamos republicar textos, uns dos outros, aqui no blog. Relembrando a época que estávamos no início ou no meio do curso de jornalismo. Época dos rolés tronchos. Foi lembrando desses roles que selecionei esse texto de Ramon sobre uma noite muito louca.

A noite parecia estranha quando Beto e eu resolvemos vagar sem rumo pela cidade. Esperamos na parada mais próxima pelo primeiro ônibus que passasse. Veio um da linha 43 com destino ao bairro do alecrim. Subimos nele.
Bar do Encontro era o nome do local. Poucos aventureiros da meia noite se espalhavam pelas mesas, beliscando aperitivos e bebericando. Alguns casais. Uns taxistas batendo papo. Pedi uma dose de conhaque barato, Beto foi de Martini. De petisco uma deliciosa porção de coração de boi frito com macaxeira cozida ao ponto. Isso porque não estavam mais servindo a porção de rins que era o que desejávamos.
Filosofamos sobre as mulheres, esses seres maravilhosos, apetitosos, indecifráveis, sensuais e doces. Papo de mesa de bar mesmo. Mas sempre há espaço para devaneios. Planejamos fazer, enfim, uma reportagem em quadrinhos. Coisa que tínhamos a certeza de fazer quase todo mês. Mas que no fim das contas sempre surgia um serviço atrasado no emprego, uma prova inesperada na faculdade, uma ressaca de dois dias que não nos permitia tocar pra frente o projeto. Espero que dessa vez saia mesmo.
Era hora de zarpar. Dar uma caminhada quilométrica pela Bernardo Vieira em direção à Prudente de Morais. Na calada da noite as ruas, por mais bonitas que sejam, são tenebrosas. Não sei se o que dá mais medo na madrugada é ela estar sem uma viva alma ou com apenas um pobre homem parado na penumbra. O interessante é que eu sou um indivíduo que posso dizer “Natal não é uma cidade perigosa”.
Se tem um doido que vaga pela madrugada bêbado e caindo pelo chão, inofensivo, frágil, fácil de ser roubado e morto, sou eu. Foram tantas as andanças na calada da noite e nada de ruim me aconteceu. Nem mesmo um gato dos diabos pulou sobre o meu caminho para me cagar as calças de susto. Nada. Nunca fui assaltado. Pra mim essa Natal em que vivo é um paraíso sem violência. Pelo menos pra mim. E sei que falando isso vai aparecer uma ruma de vagabundo pra me roubar agora. É a conseqüência de se cantar felicidade. É assim. Um dia eu não chego em casa. Já estou vendo.
Mas seguimos andando rumo a Prudente de Morais. Fizemos um pitstop na conveniência de um posto. Beto sugeriu bebermos iogurte com cana. Achei estranho. Disse que cana com todinho ainda ia, mas com iogurte não dava. Ficamos sem se decidir, sem beber. “Vamos para um bar, é melhor”. Fomos embora novamente. Mais andanças. Dessa vez descendo a Prudente de Morais. Essa é a sina de não ter carro no fim de semana.
Nenhum bar pelo caminho. Bar do ku, do careca, do caralho a quatro e nada. Tudo fechado em plena madrugada do sábado. Encontramos um barzinho escondido bastante movimentado. Fomos dar uma sacada e isso sim foi um assalto quando olhamos os preços do cardápio. Caímos fora.
Continuamos descendo a avenida. Um outro posto de gasolina. Uma nova conveniência. Biritamos por lá mesmo. Mas a falta de movimento, pelo menos de um garçom para trazer as cervas, começou a nos morgar e tivemos de continuar descendo a avenida. Um trabalhador da madrugada daqueles que pedala infinitas distâncias para vender salgados com refresco de goiaba em sua bicicleta singela surgiu em nosso caminho, lanchamos.
Continuamos vagando sem rumo por uma Prudente de Morais morta. Acabamos andando tanto para morrer no bar mais perto de casa. Candel Bar, já no bairro de candelária. Filé de suíno com fritas, duas dose de meladinha e uma garrafa de soda pra limpar o estrago da noite antes de ir embora quando o sol já raiava no leste.
Foram tantos quilômetros que fico me perguntando se a gente saiu pra caminhar ou pra beber. Acho que foi mais uma saída saudável pela madrugada. Perder umas calorias mesmo. Coisa de atleta.
Curtas de Eduardo Valente
31/03/2010 por Beto Leite · Sem Comentários

Hoje, na Revista Catorze, publicamos uma resenha sobre o filme “No meu Lugar”, do diretor Brasileiro Eduardo Valente.
Existem dois curtas dele disponíveis no site Porta Curtas.
“Um Sol Alaranjado” é o título do curta que mostra quatro dias na vida de uma mulher e seu pai. Segundo Ramon Ribeiro, integrante da Catorze, o melhor curta que já viu na vida. Não é pra menos, já que o curta foi premiado em Cannes.
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1473
O outro é “Castanho”. Um musical sobre o amor e tudo aquilo que fazemos por ele.
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1498
Vale a pena conferir
Banda Arrelia
26/03/2010 por Beto Leite · Sem Comentários
Uma dica pra galera que curte a música e os artistas da terra.
Encontrei uns vídeos da banda Arrelia. Vi os caras pela primeira vez no Carnaval de Natal, na Cidade alta. Com músicas como “Do Mangue a Galope” , “Back perfumado”, “Caderno de Maternal” e “Sucesso e a Massa” , os caras estão no ritmo de uma produção que me parece bem original. Muito massa, vale a pena dar uma conferida:
330 livros grátis para download
25/03/2010 por Beto Leite · 1 Comentário
Pra quem não o conhece o domínio público.
Pra quem não conhece também : Segue uma lista dos 330 livros disponíveis para download no site.
- A Divina Comédia -Dante lighieri
- A Comédia dos Erros -William Shakespeare
- Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
- Dom Casmurro -Machado de Assis
- Cancioneiro -Fernando Pessoa
- Romeu e Julieta -William Shakespeare Ler Mais
Valsa com Bashir
23/03/2010 por Rayanne Azevedo · Sem Comentários
Essa é para quem gosta de animação e ainda não teve a oportunidade de ver o filme.
O cinemax exibe hoje, às 22h15, a animação israelense do diretor Ari Folman. No formato de documentário, o filme retrata as tentativas de Folman, um veterano da Guerra do Líbano de 1982, de recuperar suas memórias perdidas que marcaram o massacre de Sabra e Shatila. A película lançada em 2008 venceu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

No Salão de Artes Visuais
15/03/2010 por Ramon Ribeiro · Sem Comentários

Galera, a Catorze marcou presença na abertura do 13º Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal. Aqui vão duas fotos tiradas durante o evento. Nesta primeira, nosso repórter Fábio Farias (trampando pelo Novo Jornal) e eu. Dois malucos de bobeira pela Galeria Newton Navarro (Funcarte).
Não consegui registrar, mas Fábio quase que acabava sozinho com o comes e bebes que rolou por lá. Sabe como é, a revista ainda não tá dando grana pra ninguém, então quando aparece uma boca livre como a que nos apareceu tem que aproveitar, né!

Da direita pra esquerda. Eu (reparem na postura torta da criatura), Marly Melo (mãe do pateta aqui) e Sanzia Pinheiro (coordenadora do Núcleo de Artes Visuais da Funcarte).
Veja matéria completa sobre o Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal no site!
Fotos por Joto, artista que participou do Salão com a obra Sintomas.
No shopping ninguém escuta
02/03/2010 por Beto Leite · 8 Comentários

Éramos quatro sentados em uma mesa. Mas mesas e pessoas tinham muitas, afinal estávamos na praça de alimentação do Natal Shopping. O que faltava era atenção. Uma garota tocava violão no meio da praça e ninguém dava o menor cabimento. Ela fechava os olhos buscando concentração para não errar as notas. Dava seu melhor. Completamente sozinha no meio da praça de alimentação do Natal Shopping. Existe solidão maior?
Todo shopping emite um som próprio, padrão, que não vem das caixas de som. O ruído é de pessoas falando simultaneamente. Muitas pessoas. Faça o teste, entre em um shopping, cale a boca e feche os olhos. Quando você notar esse fenômeno acústico deve chegar à mesma conclusão que eu. Ninguém escuta no shopping. E lá estava a garota com seu violão, mostrando música para quem não escuta.
Disse no primeiro parágrafo que ninguém a notava. Mentira. Além de mim, existiam duas mesas, seis pessoas, que observavam atentas. A semelhança física denunciava: familiares. Imagino que tocar em um lugar onde existem milhares de pessoas e apenas os familiares dão atenção, deve ser uma espécie de ilusão decadente. Pronto, suponho que agora alguém deva está com raiva de mim. Algum músico que tocou no Natal Shopping, que vai colocar nos comentários como recebeu convites para tocar na Europa depois da apresentação. Bem, adianto que isso não me interessa. O assunto aqui é a menina com a roupa, a voz, o jeito de tocar da Ana Carolina, que toca músicas de Legião Urbana e Ana Carolina na praça de alimentação do Natal Shopping. O tema é a infelicidade, o artista decadente.
Perguntei se existia solidão maior do que a dela. Existe, a do pianista no Midway. Não sei se ele ainda vai tocar lá (não sou um assíduo freqüentador do lugar), mas na primeira vez que o vi, a aflição me triturou o peito. Primeiro que o pianista usa uma espécie de terno típico de pianista (desculpe a ignorância), o seu instrumento é mais clássico, difícil de encontrar, maior, o que só piora a situação. Multiplique a solidão do pianista por três pisos lotados de pessoas completamente surdas. Por fim, o golpe de misericórdia, uma mulher e duas crianças estão em pé, ao lado do piano, escutando. Ao final de cada música eles aplaudiam. Juro, eu tive vontade de chorar.
O que ele tocava eu não sei. Mas eu queria que ele tocasse uma música que fizesse parar o tempo. De repente todas as pessoas iriam se calar. Então, apenas escutando, tomariam um susto ao perceberem que não estão sozinhas.
Oscar 2010 – Curtas de animação
25/02/2010 por Ramon Ribeiro · 2 Comentários
Não sou muito chegado a essa parada de Oscar. Mas descobri (via site Pipoca Combo) que dos cinco indicados na categoria de melhor curta de animação, quatro vídeos estão disponíveis(em inglês). Só é uma pena, porque dos candidatos, o que me pareceu mais interessante foi o Logorama, que ganhou o prêmio de Melhor Curta no Cannes Film Festival e brinca com mais de 2 mil logomarcas famosas, utilizando-as como personagens e cenários do curta, infelizmente não está disponível. Mas quem o encontrar dê o toque, beleza?
French Roast
Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper
Wallace And Gromit – A Matter of Loaf and Death
Desencontro Natalense de Escritores
25/02/2010 por Ramon Ribeiro · 1 Comentário

Patrício Jr é uma onda. Com um texto afiado e cheio de ironia, o jovem escriba fez um apanhado com as mais ridículas trapalhadas da gestão da borboleta. A crônica ficou FODA!
>> DENE – Desencontro Natalense de Escritores
Puxando da mais recente cagada da Funcarte (o ENE, ELE, DENE, sei lá como chamar esse troço), o blogueiro começou a sua sátira e seguiu pela sapucaí da bizarrices que cercam essa cidade do Natal.
Reparem em alguns debates e oficinas do novo evento. “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, “Toma que o espigão é teu”. E que tal essa oficina, “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”. É como dizem, seria cômico se não fosse trágico.
Vale a pena conferir e dar umas boas risadas. Mas sem esquecer que tá mais do que na hora de se fazer alguma coisa pra mudar essa avacalhação.
Digníssimo Jornalista
22/02/2010 por Rayanne Azevedo · 3 Comentários
Fábio Farias, 21 (quase 22, daqui a um mês), completamente fora de si.
O registro foi feito na hora em que ele estava travestido de noivinha, correndo atrás de um trio elétrico na praia de Pirangi ao som do hit do verão, uma verdadeira obra prima e ode à malemolência brasileira. O rebolation-tion, o rebolation-tion! Foto e arte por Kamilo Marinho.

O álcool é um perigo mesmo.