Festival DoSol – 1º dia – Parte I

Cassim e Barbária

O Festival DoSol iniciou pontualmente, às 15h30. Azar o meu, que peguei o show do Flaming Dogs (RN) já no final. Funcionando no mesmo esquema de revezamento de palcos (Armazém Hall e DoSol), a alternância garantiu horários cumpridos a rigor. Os gatos pingados que estavam no DoSol eram poucos em número, mas souberam curtir o show dos rapazes apesar de alguns problemas no som. O rock’n roll verde da banda fez um show normal, sem nenhuma peculiaridade notável.

Meia hora mais tarde, foi a vez dos meninos do Driveout (RN) subirem no palco montado no Armazém Hall. Pra quem curte a trilha sonora da novela Malhação, com certeza é uma boa pedida, apesar das composições adolescentes recorrerem sempre à mesma temática – relacionamentos amorosos hiperdimensionados. Até onde os limites de espaço vão, a banda soube se movimentar de maneira enérgica, principalmente o vocalista. Tocando baladinhas emocores, todas cantadas em português, a banda cativou quem estava lá.

Em seguida, o Venice Under Water, tidos como uma das promessas no cenário do roquénrôu potiguar, deu início ao seu show – tão emo quanto o da banda anterior. Talvez um pouco mais crescido na utilização de outros elementos, conferindo mais diversidade ao som. E na idade e tamanho também, justiça seja feita. Apesar de espremidos uns contra os outros em um palco pequeno, era como se cada integrante da banda estivesse em seu próprio aquário, fazendo coisas diferentes. A falta de entrosamento era visível e tornou o show em si um tanto estranho. O ponto alto foi o cover de “Our time is running out”, do Muse. A música ajudou a dar uma acordada no público até então apático demais.

O_Melda

Apático, aliás, até seria um adjetivo elogioso para definir o clima que continou até o show do Melda (MG). Sozinho no palco, um maluco vestido de roupa de operário verde e capacete cheio de pinos gigantes empunha uma guitarra enquanto berra os mesmos versos curtos o tempo inteiro. Uma mistura do que os ídolos do axé, mamonas assassinas, ramones e demais bandas punks fariam se tocassem juntos. “mexe a bunda, aê”, “me dá uma cerveja, baby”, “a marcha da maconha foi proibida” e similares compunham a temática descaradamente zombeteira do seu repertório, tudo isso acompanhado de uma batida pra lá de dançante. Sacudindo a cabeça freneticamente, parecia até que ele estava fazendo os parafusos do seu capacete voltarem pra dentro de seu crânio. Demorou, mas o pessoal, enfim, se deixou envolver pelo clima punk swingueira.

No palco do DoSol, outra banda bem diferente evocou o rock setentista no melhor estilo “mamãe, eu quero ser mutantes”. É o Plástico Lunar (SE), que com um visual bicho-grilo trouxe psicodelia e solos de guitarra viajantes para o público. Infelizmente, o som estava um pouco ruim e parecia quase impossível ouvir as letras. Mas com carisma e entrosamento, os rapazes conseguiram conquistar o público. Sem dúvida, um ótimo intervalo para as orelhas já meio surdas depois de tanta música pesada.

Cassim e Barbária (SC), a banda seguinte, trouxe dois bateristas e um pouco de experimentalismo com seu som ecoado. No entanto, talvez por motivos de qualidade técnica da aparelhagem de som, a música de estúdio parece melhor do que aquela tocada ao vivo. Ainda assim, o público curtiu e os catarinenses deixaram o palco ovacionados.

Bugs

Já com um público maior transitando entre os palcos do DoSol e Armazém, o Bugs inicia o seu show feroz, sendo até então a banda mais animada da tardebarranoite. Sem dó nem piedade, eles descarregaram a sua energia absurda através do baixo, bateria e guitarras que traziam uma música atrás da outra. Tocando todas as músicas do novo EP, eles só comprovaram que o rock feito nesta terrinha ensolarada não tem deixado a desejar em nada com relação ao cenário nacional. Muito profissionalismo e responsa. E o público curtindo cada minuto.

Fotos: Vanessa Trigueiro

Sobre o Autor

Rayanne Azevedo escreveu 16 materias no catorze.

O alegre extravio da razão.

3 Comments on “Festival DoSol – 1º dia – Parte I”

  • Pedro Fiuza wrote on 10 novembro, 2009, 0:32

    Rayanne, parabéns pelo texto. Gostei da diversidade de adjetivos. Eu acho que eles são bem úteis para resenhar sobre música, que é uma dificuldade que tenho. 

    Pra comentar um pouquinho sobre cada banda mencionada: eu gostei do Flaming Dogs, apesar de achar que eles estão começando. Gostei das influências setentistas. Lembrei de Stillwater, ó! (Quase Famosos)

    Driveout: nah. Venice foi legal. Não achei emo não. Achei que eles tem mais influência de Placebo ou mesmo Muse. E uma observação minúscula: o nome da música do Muse que o Venice fez cover é só “Time Is Running Out”.

    Melda é um cara bacana pracaraio, mas o som é zombeteiro (bom adjetivo!) e só. Nada demais. Pelo menos até a 4ª música, que era o que eu podia ver do show, ehehe.

    Plástico Lunar pra mim foi um dos pontos altos do dia. Gostei do som. Não sei reconhecer quando está ruim. Eu achei que tava era bom. Achei as músicas bem redondinhas e bem tocadas (tanto que o guitarra voltou pra tocar com The Baggios). E até essa hora não tinha rolado nada tão pesado, vai.

    Cassim e Barbária saíram ovacionados, sério? Eu achei o show tão mais ou menos. (de novo: só escuto até a quarta música, por causa do trampo da filmagem). Achei o lance dos dois bateras sem sentido. Mas morri de rir com o baixista-estátua. Até na entrevista o cara fez aquela cara de paisagem.

    Eu nunca consigo definir bem o que sinto com o Bugs. Eu acho bem tocado pra caralho, mas acho que não é meu estilo. Não consigo pegar as nuances. Acho que se eles simplificassem um poquinho, eheheh…

  • Rayanne wrote on 10 novembro, 2009, 11:00

    Valeu pelo toque da música do Muse, Pedro! ;)

    E sim, O Melda é cansativo depois de três músicas já. E quanto ao protesto sobre o som pesado – é que na realidade o som estava saindo realmente ruim, moendo meus ouvidos e pressionando meus tímpanos até dizer basta. Por causa disso, qualquer “barulho” além do rock redondinho do Plástico Lunar destruiu minha audição. Mas é aquilo né… Quem tá no rock é pra se fuder. Mas, peloamordedeus, que os investimentos em equipamentos de som cada vez melhores aconteçam!

    Quanto ao batera estátua – hauhauhuaua… Eu também percebi, mas não quis mencionar. Ele era uma figura mesmo. O som dos caras eu achei melhor pelo myspace mesmo… No palco ficou um negócio meio estranho.

Trackbacks

  1. FESTIVAL DOSOL REPERCUSSÃO: LADO [r] » DoSol

Comente

Gravatars são pequenas imagens que você pode personalizar. Você pode conseguir uma em gravatar

Copyright © 2010 Revista Catorze. All rights reserved.
Powered by WordPress.org, Meu Tema | WordPress MAX.