Literatura – O ano do faça você mesmo

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A literatura potiguar aconteceu em 2009. E não foi porque a prefeitura do Natal ou o governo do Rio Grande do Norte resolveu injetar recursos para o desenvolvimento das letras potiguares não. Muito pelo contrário. Foi por causa de iniciativas independentes, de pessoas interessadas em tirar seus escritos da gaveta e botar na rua para serem lidos que 2009 terminou com o saldo positivo de um bom ano de lançamentos literários.

A Siciliano se tornou o grande palco desses lançamentos. A livraria com unidade localizada no Midway Mall chegou a passar por uma reformulação, inaugurando novo espaço, mais amplo e confortável. Até o deputado federal Fábio Faria lançou livro por aquelas bandas.

Longe dali, num lugarzinho menor, sem pompas, onde o vinho e o uísque davam lugar à cervejinha gelada e cachaça, um valente editor chegou a lançar um livro por semana no seu Sebo Vermelho. Abimael Silva se segurou nas pontas, manteve o idealismo, editou e reeditou livros de autores da terra.

Selos literários também mostraram as caras no ano que passou. A Flor de Sal teve destaque com o livro Hotel de Trânsito, de Cassiano Arruda. Os Jovens Escribas vieram com duas coletâneas de contos, a primeira, Mano Celo, de Carlos Fialho, atraiu muita gente no lançamento, e A Cega Natureza do Amor, de Patrício Jr, que inovou com anúncios em outdoors da cidade. Além desses, Marize Castro apareceu com o livro de poemas Lábios-espelhos, pela sua editora Una.

Da editora da UFRN, o destaque vai para o livro Dos Bondes ao Hippie Drive-in, dos professores e irmãos Fred e Carlos Sizenando Rossiter, que relataram de forma agradável fatos vivenciados numa Natal entre os anos de 1915 e 1975.

Se alguns livros saíram da gaveta com a coragem de seus autores, outras iniciativas não saíram do papel, como a Lei do Livro, que injetaria R$ 500 mil em projetos literários. De autoria do deputado estadual Fernando Mineiro, a lei foi aprovada, mas emperrou em algumas questões burocráticas, sendo engavetada logo em seguida.

E por falar em burocracia, a Fundação José Augusto e Fundação Capitania das Artes estiveram bastante ausentes em 2009. Uma prova disso é a situação da Biblioteca Pública Câmara Cascudo, extremamente sucateada, e se depender da FJA, as traças podem fazer um carnaval do acervo.

Os concursos Othoniel Menezes (poesia) e Câmara Cascudo (prosa), organizados pela Funcarte, e o Luiz Carlos Guimarães, pelo estado, três importantes formas de novos autores surgirem e serem divulgados, ficaram parados em 2009. Assim como as revistas Preá e Brouhaha, facilmente escanteadas.

Ano foi da Bienal do Livro que ninguém ouviu falar. O Encontro Natalense de Escritores, de grande destaque na programação de fim de ano da cidade, primeiro mudou de nome, passando a se chamar Encontro Lusófono de Escritores. Queriam ampliar as discussões para além mar, mas parece que tudo naufragou no meio do caminho. Mudou-se a data, trocou-se o presidente da Funcarte, remarcaram o evento, e de novo e de novo até o ano acabar e o poder público o deixou como ainda está, apenas no rascunho.

Se não fosse pelo Festival Literário de Pipa, o Rio Grande do Norte estaria completamente destituído de um grande evento literário. Para sua primeira edição, a Flipa chamou bastante atenção. Dosou celebridades com nomes premiados, fazendo a alegria de muitos.

Para 2010, fica a esperança de um ano ainda melhor. Que a força de vontade daqueles que batalham para aquecer o mercado de livros na terrinha continue. Que apareçam novos autores, grandes romances, belas poesias, muitos leitores, que se leia mais. E que, pelo amor de deus!, o poder público faça a sua parte.

Sobre o Autor

Ramon Ribeiro escreveu 32 materias no catorze.

Futuro maior vagabundo do planeta. No momento, estuda o ócio.

One Comment on “Literatura – O ano do faça você mesmo”

  • Cats wrote on 4 fevereiro, 2010, 15:07

    Faltou mencionar Ney Leandro de Castro que lançou A Fortaleza dos vencidos, tb em 2009. Mas é isso aí, incentivo estatal tá capenga pra todos as áreas do setor cultural. Ótimo artigo!

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