O Seminarista e a literatura de Rubem Fonseca
Os fãs de Woody Allen costumam dizer (eu sou um deles) que o diretor não tem filmes ruins. O mínimo que uma película do norte-americano alcança na avaliação desses fãs é um discreto e generoso “bom”, por mais fraco que a história, ou a própria direção, sejam.
Esse raciocino pode ser aplicado, na minha opinião, aos livros de Rubem Fonseca. Quase tão profícuo quanto o diretor norte-americano nas sua produção – Woody lança um filme por ano -, Fonseca tem 10 romances publicados e outros 14 livros de contos e já foi considerado o autor mais inovador da literatura brasileira.
Mas, para quem já se divertiu lendo “O Caso Morel”, ou já se perguntou ‘onde é que essa mente doentia consegue criar histórias tão fantásticas’ lendo “Bufo & Spallanzani” vai achar, com toda certeza, “O Seminarista” uma obra fraca, inferior, sem o peso por exemplo de “Agosto”, considerada uma das obras primas do autor mineiro.
Embora seja menos empolgante que outros livros, “O Seminarista” mantém boa parte das boas características do autor: a linguagem sempre refinada, sem excessos, o ritmo do texto muito bem construído e um protagonista que, primeiro, ama incondicionalmente as mulheres e, segundo, acaba envolvido em tramoias policiais que, bem ou mal, são gostosas de ler.
Último livro publicado do autor mineiro, “O Seminarista” conta a história de um matador profissional, o melhor do ramo, e a sua vontade de sair do metier. A história é narrada de um ponto de vista bem cinematográfico – Fonseca tem o costume de dizer que é um cineasta frustrado – mas, infelizmente, contém furos que prejudicam o andamento da própria trama.
Não é um livro ruim, é daqueles que termina e você pensa “é, legal, bonzinho”. A mesma sensação que tive quando assisti a “Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos”, último dos filmes mais fracos do Woody Allen.
Desde “Diário de Um Fescenino” – livro que gostei, apesar de tudo – há críticos que dizem que o velho Fonseca “perdeu a mão”. É uma observação um tanto maldosa, porque nem o estilo de escrita, nem o ritmo das palavras e do texto são “piores”, apenas as histórias estão menos criativas, menos empolgantes e um tanto forçadas.
Um detalhe que pode soar ruim também é que o protagonista parece se repetir nos livros dele: sempre homem, mulherengo e culto, mas nada que a escrita saborosa do velho Fonseca não resolva. Até porque, Fonseca para mim, junto com o mestre Xico Sá, está no panteão de escritores que melhor escrevem sobre as mulheres.
O vídeo abaixo, embora nada tem a ver com “O Seminarista”, traz um depoimento massa do escritor. Destaque para: “sinônimos não existem”.
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