Dez anos de Casa da Ribeira

O número 52 da Rua Frei Miguelinho tinha tudo para ser igual aos seus conterrâneos do bairro da Ribeira: desbotado, bolorento, carcomido mais pelo abandono que pelo tempo. Antes de virar depósito de baratas, contudo, aquela casa enjeitada virou palco de artista. E assim nasceu, em março de 2001, a Casa da Ribeira.

Daqui a pouco menos de um mês, o casarão tem aniversário duplo. A estrutura em si – nascida como hospedaria – completa o primeiro centenário de existência; a Casa da Ribeira comemora dez anos de vida e militância artístico-cultural, e reabre as portas ao público tinindo de nova, depois de passar por uma série de reformas. E se a contagem regressiva para as festividades começou em 2010 com espetáculos teatrais, música boa e papo-cabeça, 2011 promete muito mais.

Ao menos é o que dá a entender Henrique Fontes, uma das pessoas à frente da Casa. “Vamos promover junto com o Centro Cultural DoSol o Circuito Cultural Ribeira. Será um evento mensal, aos domingos, que começa no aniversário da Casa em março. Trata-se de um circuito pelos espaços que trabalham com cultura na Ribeira”, explica.

O Circuito será lançado no dia 8 de março, terça-feira de Carnaval, ocasião em que os dez anos de existência da Casa serão comemorados com shows na Rua Frei Miguelinho – o ponto será um dos pólos carnavalescos deste ano. Entre os artistas confirmados, Valéria Oliveira, Trem Fantasma, Banda Canastra (RJ), Cabruera (PB), Camarones Orquestra Guitarrística, DuSouto e Rosa de Pedra.

Contudo, a Casa da Ribeira só abrirá as portas ao público oficialmente no dia 17 de março. A partir daí haverá uma vasta programação de teatro, música, dança e artes visuais. Maiores detalhes Henrique diz que não pode dar, mas adianta: “Vamos fazer um revival de espetáculos e shows que marcaram os 10 anos da Casa, além de estreias com o intuito de celebrar a data e dar início à temporada de espetáculos”.

Embora conte não haver ainda captado todos os recursos necessários para os investimentos na Casa, o dramaturgo fala em trocar completamente o carpete,  além dos sistemas de luz e som, e modernizar o sistema de ar-condicionado – que passará a ser ecologicamente eficiente. A reforma também inclui reparos estruturantes no teto e paredes, bem como a parte de acústica. Os investimentos vem de recursos conseguidos junto à Lei Câmara Cascudo, Governo do Estado e Cosern.

Outra novidade prevista para o primeiro semestre deste ano é o lançamento de um livro que marcará os dez anos da Casa. “Contaremos um bom pedaço dessa história, que tem fatos marcantes”, afirma Henrique. A publicação é da editora Flor de Sal.

A programação da Casa será intensa neste ano. Engrossarão o caldo de atividades eventos de pensamento e reflexão sobre as artes e políticas públicas para a cultura, além de mais uma edição – desta vez sob novo formato – do Edital Cena Aberta. “Queremos seguir colaborando para o desenvolvimento da cultura em Natal e no estado. Queremos também deixar um marco na Ribeira, se possível para contribuir com a revitalização. Estaremos em parceria com outros espaços, promovendo ações conjuntas, e continuamos abertos para propostas de artistas e produtores”.




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