Bruna Surfistinha: mediano e dispensável

Baseado no livro “Doce Veneno do Escorpião” sobre a história da prostituta Raquel Pacheco, o filme Bruna Surfistinha (2011) é daquelas obras medianas lançadas a torto e a direito no cinema nacional. Dirigido por Marcus Baldini e visto por mais de um milhão de pessoas, o filme derrapa em cenas sem noção e termina da mesma forma que começou: dispensável.

Logo no início da projeção o espectador vê Deborah Secco vestida de pijama na frente de uma webcam fazendo um striptease. Relação com o resto da história? Nenhuma. Serve só para lembrar a macharada do quanto a atriz principal é, digamos, bem servida. Cena inicial mostra ainda o quanto o no-sense paira sobre o resto da obra.

Final da projeção: Deborah Secco, no melhor estilo femme-fatale, abre a porta do seu luxuoso apartamento onde faz os programas, olha para a câmera a fala algo como “quer entrar?”. De novo, nenhuma relação com o resto do filme – agora sem o atenuante de ver a protagonista seminua. Detalhe: logo depois da cena entra a música “Fake Plastic Trees” do Radiohead. Heresia?

A intenção do diretor é de fazer um filme de atriz. De cara, percebe-se que Baldini exigiu mais de Deborah Secco e que – para a minha surpresa – ele procurou não se escorar em cenas de sexo, hábito comum do cinema tupiniquim. Havia uma intenção de levar um tom dramático à menina que vira prostituta, de tentar humanizar a Raquel e também de explicar por que ela desistiu da vida classe média paulistana para vender o corpo.

De boas intenções, infelizmente, o cinema nacional está cheio. Baldini se perde na tentativa de explicar demais a trama e de pautar a linha narrativa pelo texto. Antes dos 20 minutos, o diretor usa – de forma desnecessária – um flashback de um assédio sexual sofrido pela garota Raquel Pacheco quando ainda estava na escola. Antes, há até uma cena em que mostra o quanto a menina gostava de português. Quando parece que o flashback vai se tornar um eixo narrativo – e o espectador está de saco cheio – a história volta para onde começo:. Bruna no bordel, às vésperas do primeiro programa.

Entre turbulências e outras, a história segue com boa fotografia e uma atuação regular da atriz principal. Não há nada demais no filme, nada que empolgue o espectador ou que o tire da zona de conforto. No entanto, existe o mérito de não apelar para os lugares comuns do cinema nacional: a nudez e o sexo excessivos e a pseudo-reflexão sociológica piegas são deixadas de lado. O filme desenrola, com alguma comedinha aqui e acolá, até capotar na ridícula cena final.

A não ser que o objetivo do espectador seja o de contemplar as belas curvas da atriz principal, Bruna Surfistinha não paga o ingresso do cinema. É fraco, trêmulo na narrativa, apesar de um pouquinho acima da pífia média nacional do cinema brasileiro. Sem grandes atuações, nem grandes coisas, não é exagero afirmar: não se perde nada ficando em casa.

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2 Comentários to “Bruna Surfistinha: mediano e dispensável”
  1. Ruth disse:

    Já assistir ótimos filmes nacionais como estomago, bodas de papel dentre outros que não tiveram muito marketing nem estouraram no cinema. Concordo com o ponto que o filme é dispensável e não vale a entrada do cinema…até já sabia disso antes de ver,,,é tanto que vi em casa mesmo. Achei a história muito vazia e sem valores….o tipo de filme brasileiro marketeiro, sem nada muito inteligente. Apesar de ter opnião parecida com a sua, tb não gostei da sua critica, já li outras com um ponto que vista bem melhor (tipo essa: http://www.cartacapital.com.br/cultura/sofrimento-sem-fim )…vc acaba criticando todo o cinema nacional…que é de prache…

  2. márcio disse:

    rapaz, não vou comentar nada, porque voce é orgulhoso demais, não gostei da crítica, deixa para lá.

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